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O que pode parar ou retardar a progressão da miopia em crianças?

Do Portal Nacional de Seguros

Embora a razão exata pela qual algumas crianças tornam-se míopes não seja totalmente compreendida, parece que a hereditariedade é um fator fundamental, mas não o único

Quando os pais descobrem que seus filhos têm miopia, muitas perguntas vêm à tona, tais como:

• “O que faz a miopia aparecer nas crianças?”;

• “Existe cura para a miopia?”;

• “Existe algo que pode ser feito para controlar a miopia?”.

A miopia em crianças é uma preocupação crescente por causa do aumento da prevalência da doença nas últimas décadas. A prevalência da miopia varia nos diferentes grupos etários, sendo mais comum o início em crianças e adultos jovens. A prevalência da doença também varia conforme a etnia. 

Na Ásia, por exemplo, um estudo recente encontrou a prevalência de miopia entre 84% dos adolescentes com idades entre 16-18 anos. Outros estudos descobriram que até 90% dos adolescentes egressos de escola secundária em cidades do leste da Ásia são míopes. 

Em escolares nascidos em Hong Kong, a prevalência chega a ser 62%, na faixa etária de 6 a 17 anos. Nesse grupo, a miopia começa usualmente a se manifestar aos 6 anos de idade e apresenta uma taxa de progressão maior do que a observada em crianças europeias. 

Estudos epidemiológicos feitos em escolares de Taiwan revelam prevalência de 56% de míopes aos 12 anos de idade e 84% aos 18 anos. 

Na Índia, a prevalência de miopia na população urbana com idade entre 11 e 20 anos é de 16,6 %, enquanto nos EUA é de 25,7% entre 12 e 17 anos, sendo menor (11,7%) na população negra.

A prevalência e grau da miopia foram maiores em meninas em uma pesquisa feita em Taiwan, podendo ter havido influência do sexo relacionada à etnia. 

Finalmente fatores sócio-econômicos e culturais também podem influenciar a prevalência e a progressão da miopia. Dados epidemiológicos mostram haver maior prevalência em áreas urbanas do que em áreas rurais e existem mais míopes em profissões que exigem trabalhos para perto envolvendo detalhes.

Se o aumento mundial de miopia na infância é devido ao uso do computador, ao aumento da demanda de leitura, às mudanças na dieta ou outros fatores, estas estatísticas alarmantes levantam a questão: nada pode ser feito para retardar ou impedir a progressão da miopia em crianças? Algumas crianças simplesmente estão destinadas a serem míopes e verem sua miopia aumentando, ano após ano?

Por que a miopia é uma preocupação?

Além do custo com novos óculos e lentes de contato, a cada ano, muitas crianças que ficam cada vez mais míopes, ano após ano, tornam-se adultos com alta miopia. “E há riscos associados com a alta miopia. Altos míopes apresentam um risco maior de desenvolver catarata, descolamento de retina ou outros problemas oculares graves. E alguns míopes são tão míopes que não são bons candidatos para uma cirurgia de correção a laser para o erro refrativo”, explica o oftalmologista Virgílio Centurion (CRM-SP 13.454), diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares.

O que provoca a miopia em crianças?

Embora a razão exata pela qual algumas crianças tornam-se míopes não seja totalmente compreendida, parece que a hereditariedade é um fator fundamental, mas não o único. Se ambos os pais são míopes, há um maior risco de seus filhos serem míopes também. Mas não é possível prever quem se tornará míope, apenas olhando a árvore genealógica. 

“Alguns pesquisadores acham que a fadiga ocular ocasionada pelo esforço para manter o foco, provocado pela leitura ou por segurar um livro muito perto dos olhos, por longos períodos de tempo, pode aumentar o risco de miopia em crianças. Mas ninguém sabe ao certo”, observa o oftalmopediatra Fabio Pimenta de Moraes (CRM-SP 124.321), que também integra o corpo clínico do IMO.

A causa (ou causas) da miopia podem permanecer um mistério, mas pesquisadores recentemente descobriram algo sobre a progressão da miopia que é muito interessante: os óculos convencionais e as lentes de contato que o oftalmologista prescreve para correção da miopia podem realmente aumentar o risco da miopia piorar durante toda a infância.

Muitos destes pesquisadores estão investigando novos designs de lentes para ver se conseguem desenvolver lentes de contato ou óculos que possam parar ou retardar a progressão da miopia em crianças.

Desfoque periférico e progressão da miopia

“Ao longo dos anos, os oftalmologistas têm tentado vários métodos para controlar a miopia em crianças – com pouco ou limitado sucesso. Mas, recentemente, os pesquisadores ampliaram sua compreensão sobre como o olho reage às lentes corretivas tradicionais. Esta nova informação pode melhorar significativamente os esforços para retardar ou impedir a progressão da miopia”, diz Fabio Pimenta de Moraes.

Apesar dos óculos e das lentes de contato convencionais fazerem um excelente trabalho de correção da miopia existente e de restauração da visão central, eles podem provocar efeitos indesejados sobre a visão periférica, aumentando o risco de progressão da miopia. 

Pesquisadores na Austrália, nos Estados Unidos e em outros países descobriram que um tipo específico de desfoque pode ocorrer na retina periférica, estimulando o globo ocular a se alongar durante a infância, o que provoca aumento da miopia.

“Aqui é onde fica interessante: um olho míope é muitas vezes menos míope na retina periférica do que na retina central. Quando óculos ou lentes de contato tradicionais para correção da miopia restauram a visão de 20/20 na área central da retina, eles podem provocar um desfoque na retina periférica”, explica o oftalmopediatra.

A miopia na retina periférica é, essencialmente, sobre-corrigida, o que provoca um tipo de borrão denominado hipermetropia desfocada. Os pesquisadores acreditam que esta hipermetropia desfocada na retina periférica pode estimular o alongamento do olho, aumentando progressivamente a miopia em crianças.

Cientistas trabalham hoje para desenvolver lentes de contato ou óculos que eliminam a hipermetropia desfocada na retina periférica, o que poderia eliminar o estímulo para o globo ocular se alongar e, potencialmente, retardar ou impedir a progressão da miopia em crianças.

Pesquisas sobre o controle de miopia em crianças

Aqui estão alguns dos mais recentes resultados sobre as lentes que prometem controlar a miopia em crianças:

• Em 2010, durante a reunião anual da Associação de Pesquisa em Visão e Oftalmologia (ARVO), pesquisadores da Austrália, China e Estados Unidos apresentaram dados de um estudo sobre lentes de contato experimentais para o controle da miopia usadas por alunos chineses, durante seis meses. As lentes eram multifocais para corrigir totalmente a miopia central e reduzir a hipermetropia desfocada na retina periférica. Todas as crianças tinham idades compreendidas entre 7 e 14 anos. Um total de 65 crianças usaram as lentes de contato experimentais e 50 crianças usaram óculos. No final do período de estudo, as crianças que usaram as lentes de contato experimentais apresentavam 54% menos progressão da miopia do que as crianças que usaram óculos;

• Em junho de 2011, pesquisadores da Nova Zelândia divulgaram os resultados de um estudo comparativo de lentes de contato multifocais experimentais com lentes de contato gelatinosas convencionais para controle de miopia em crianças. Um total de 40 crianças míopes, com idades entre 11 a 14 anos, participaram do estudo. As crianças usaram as lentes multifocais em um olho aleatoriamente (e lentes de contato gelatinosas convencionais no olho contra-lateral), durante 10 meses, em seguida, trocaram as lentes para o olho oposto por mais 10 meses. Em 70% das crianças, a progressão da miopia foi reduzida em 30% ou mais no olho usando a lente de contato multifocal experimental em ambos os períodos de 10 meses do estudo. A acuidade visual e a sensibilidade ao contraste foram essencialmente as mesmas, com a lente multifocal, em comparação com as lentes de contato convencionais;

• Na reunião ARVO 2011, pesquisadores do Japão apresentaram um estudo que investigou se o desgaste, durante a noite, das lentes de contato de gás permeáveis  poderia suprimir o alongamento do globo ocular em crianças, fator de progressão da miopia. Um total de 92 crianças míopes foram incluídas no estudo durante dois anos. 42 usaram as lentes durante a noite e 50 usaram óculos convencionais durante o dia. A idade média de todas as crianças participantes era de cerca de 12 anos, no início do estudo. Ao final, as crianças do grupo que usou óculos tinham um aumento significativamente maior na média do comprimento axial dos olhos do que as crianças que usaram as lentes de contato. Os autores do estudo concluíram que, durante a noite, a lente suprimia o alongamento dos olhos das crianças, sugerindo que as lentes podem retardar a progressão da miopia, em comparação com o uso dos óculos;

• Em 2012, os mesmos pesquisadores publicaram os resultados de um estudo similar de cinco anos com 43 crianças míopes que usaram lentes de contato de gás permeáveis durante a noite, suprimindo o alongamento axial do olho, em comparação com o uso de óculos convencionais para correção de miopia;

• Também em 2012, pesquisadores na Espanha publicaram dados de um estudo que revelou que crianças de 6 a 12 anos de idade com miopia que usavam lentes de contato de gás permeáveis, durante um período de dois anos, tiveram menos progressão da miopia e uma redução axial do alongamento dos olhos em comparação às crianças que usaram óculos para correção de miopia;

• Em outubro de 2012, pesquisadores de Hong Kong publicaram outro estudo sobre o efeito das lentes de contato de gás permeáveis no controle da progressão da miopia em crianças. Um total de 78 crianças míopes (entre 6 a 10 anos de idade no início do estudo) participaram do estudo por dois anos. As crianças que usavam as lentes de contato tiveram um aumento mais lento do comprimento axial dos olhos em 43%, em comparação com as crianças que usavam óculos. Além disso, as crianças mais jovens que usaram as lentes de contato tiveram uma maior redução da progressão da miopia do que as crianças mais velhas;

• Além disso, um estudo publicado na Investigative Ophthalmology & Visual Science revelou que o efeito benéfico da progressão da miopia diminuiu com o uso de lentes de remodelagem da córnea durante o primeiro ano de tratamento da miopia. O mesmo não se repetiu quando o colírio com atropina e os óculos multifocais foram usados.

Outras medidas de controle da miopia em crianças

Os esforços para encontrar uma cura para a miopia ou uma forma de retardar a progressão da doença em crianças são de longa data. Além das novas lentes de contato projetadas para alterar o borrão periférico e a progressão da miopia, outras medidas foram investigadas ao longo dos anos:

• Colírio com atropina: de todos os métodos de controle da miopia tentados, até agora, a utilização do colírio de atropina obteve os resultados mais eficazes, a curto prazo, mesmo apresentando algumas desvantagens. “A atropina tópica é um medicamento amplamente utilizado para dilatar a pupila e paralisar temporariamente o mecanismo de acomodação do olho. A atropina não é normalmente utilizada durante os exames oftalmológicos de rotina porque seu efeito de longa duração pode levar uma semana ou mais para passar completamente”, explica o oftalmologista Fabio Pimenta. Um uso comum da atropina nos dias de hoje é reduzir a dor ocular associada a determinados tipos de uveíte. Algumas pesquisas têm sugerido que a miopia em crianças pode estar ligada à fadiga ocular para focar, os pesquisadores se debruçam sobre o uso da atropina para desativar o mecanismo de foco do olho e para controlar a miopia. Os resultados dos estudos da atropina para controlar a miopia na infância têm sido impressionantes, pelo menos para o pr

imeiro ano de tratamento de miopia. Quatro estudos de curto prazo, publicados entre 1989 e 2010, constataram que a atropina produziu uma redução média da progressão da miopia de 81% entre as crianças míopes. No entanto, estudos adicionais demonstraram que os efeitos do controle da miopia com o uso da atropina não permanecem após o primeiro ano de tratamento e que a utilização, a curto prazo, da atropina não pode controlar a miopia de forma significativa, a longo prazo. “Além disso, muitos oftalmologistas relutam em prescrever atropina para crianças porque os efeitos do uso contínuo da medicação são desconhecidos. Outras desvantagens sinalizam que o tratamento com atropina provoca desconforto e sensibilidade à luz e que a dilatação prolongada da pupila causa a perda da capacidade de foco durante o tratamento, o que gera despesas extras com lentes bifocais ou progressivas durante o tratamento, para que a criança seja capaz de ler claramente, uma vez que a sua capacidade de foco é afetada”, diz o médico;

• Lentes de contato de gás permeáveis: a capacidade das lentes de contato gás permeáveis em retardar a progressão da miopia em crianças tem sido um tema controverso há muitos anos. Para muitos profissionais, este problema foi resolvido com a publicação dos resultados do estudo Contact Lens and Myopia Progression (CLAMP)  em 2004. Financiado pelo National Eye Institute, o estudo se debruçou sobre a progressão da miopia em mais de 100 crianças, entre 8 e 11 anos de idade, ao longo de um período de três anos. Algumas usavam lentes de contato de gás permeáveis rígidas, enquanto outros usavam lentes de contato gelatinosas. Muitas crianças que usavam as lentes de contato gás permeáveis mostraram, a curto prazo ou temporariamente, uma menor progressão da miopia. No final do período do estudo, nenhum efeito significativo de controle da miopia foi comprovado com o uso de lentes de contato de gás permeáveis;

• Óculos multifocais: “o uso de lentes de óculos bifocais ou multifocais (lentes progressivas) também tem sido investigado como um meio para controlar a miopia em crianças. Uma série de estudos publicada, entre 2000 e 2011, revelou que o uso de óculos multifocais não fornece uma redução significativa da miopia progressiva para a maioria das crianças”, informa o oftalmopediatra. Um estudo publicado em 2003, Correction of Myopia Evaluation Trial (COMET), descobriu que as lentes de óculos progressivas em comparação com as lentes regulares de visão única, proporcionaram uma lenta progressão da miopia em crianças, estatisticamente significativa apenas durante o primeiro ano de tratamento. Mas o efeito não foi significativo nos dois anos seguintes ao estudo;

• Hipocorreção da miopia: outra técnica investigada para o controle da miopia em crianças é a hipocorreção intencional da miopia com óculos ou lentes de contato. “A lógica por trás dessa ideia é que a subcorreção reduziria o foco de tensão ocular, que tem sido apontado como uma das causas da progressão da miopia. Infelizmente, estudos recentes revelam que a subcorreção da miopia não só é ineficaz em retardar a progressão da miopia, ela pode, na verdade, aumentar a miopia progressiva. Além disso, a subcorreção intencional de miopia faz com que a visão à distância fique turva, o que pode colocar a criança em desvantagem na sala de aula ou nos esportes, afetando seu aprendizado e sua segurança”, informa Fabio Pimenta de Moraes.

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