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Doença que leva à cegueira pode ter fator genético

 Doportal: www.medicina.ufmg.br

 A genética pode ser o principal fator de risco para o desenvolvimento da degeneração macular relacionada à idade (DMRI). A doença é apontada pela Organização Mundial de Saúde como a principal responsável pela cegueira em países desenvolvidos e a terceira causa no restante do mundo. No Brasil, onde 5% dos casos de perda da visão são atribuídos à DMRI, a primeira pesquisa que associa a genética à doença foi realizada na Faculdade de Medicina da UFMG.

  O estudo recebeu o Prêmio Baeta Vianna, entregue no final de 2013 aos melhores trabalhos de pós-graduação concluídos na Faculdade no ano anterior (2012). “No momento da escolha da pesquisa, a genética estava começando a ser associada efetivamente à degeneração macular. A presença em familiares era um fator de risco para que os pacientes a desenvolvessem e isto estava sendo avaliado no mundo inteiro, mas ainda não havia nenhuma pesquisa  no Brasil”, afirma Luciana Negrão Frota de Almeida, autora da tese de doutorado defendida junto ao Programa de Pós- Graduação em Ciências Aplicadas à Cirurgia e à Oftalmologia. O trabalho foi orientado pelo professores Luiz Armando da Cunha de Marco, do Departamento de Cirurgia, e Márcio Nehemy, do Departamento de Oftalmologia e Otorrinolaringologia.

  A doença degenerativa atinge diretamente a mácula, região do centro da retina, provocando uma perda progressiva da visão central e levando à cegueira. Rara antes dos 40 anos e ainda sem causas bem definidas, a DMRI é uma doença multifatorial também relacionada às questões ambientais, alimentares ou à própria condição do olho. Indivíduos brancos, fumantes, mulheres e obesos são apontados como os mais suscetíveis.



Ponto chave

  A pesquisa teve como objetivo investigar em uma amostra da população brasileira a associação entre a degeneração macular relacionada à idade com polimorfismos (variações genéticas presentes na sequência do DNA) em três genes: CFH, ARMS2  e VEGF.

  Para isso, foram coletadas amostras de sangue de 163 pacientes portadores de DMRI, atendidos em uma instituição privada de Belo Horizonte, o Instituto da Visão, e de 140 pacientes sem DMRI, atendidos no Hospital São Geraldo, anexo do Hospital das Clínicas da UFMG. Através do sangue, foi possível extrair e mapear o DNA, que posteriormente foi analisado e comparado.

  O primeiro gene analisado, CFH, é produtor de uma proteína que atua no processo inflamatório, responsável por impedir que a inflamação ocorra desordenadamente. Dessa forma, o gene com polimorfismo produziria uma proteína adulterada, alterando o sistema e favorecendo a inflamação.

  O segundo gene, conhecido como AMRS2, apesar de ter uma função que ainda precisa ser estudada, já havia sido identificado em outras pesquisas pelo mundo como o segundo mais associado à doença.

  O terceiro gene escolhido está relacionado à produção de vasos sanguíneos novos, caracterizados como “pouco competentes”, que sangram mais e tracionam a retina. É justamente a proteína produzida por este gene, com o mesmo nome de VEGF, que é combatida no tratamento atual da degeneração úmida (um tipo de degeneração macular), ou seja, o tratamento usa uma substância anti-VEGF, anulando seu efeito na retina. “Um ponto chave da pesquisa foi ter associado esse gene, devido à importância clínica e terapêutica da sua proteína codificada”, afirma Luciana.

  Os resultados da análise indicaram que a população brasileira, apesar de muito miscigenada, segue o padrão mundial.  “Nós vimos que o polimorfismo do CFH e do ARMS2 está associado à degeneração macular na população brasileira. O VEGF também, mas em menor escala”, afirma.

Luciana Negrão lembra que dizer que a DMRI está associada a esses genes não significa exatamente que a doença depende deles, embora aponte que mais de 50% dos pacientes apresentem esses genes com polimorfismo.

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